terça-feira, 24 de maio de 2011

CADA ESCOLHA UMA RENUNCIA...




Depois de trabalhar anos em grandes empresas eu decidi que era a hora de transformar, mudar tudo, começar do zero. Nada começou de um dia para o outro, foram folhas ao vento que fui pegando pelo caminho. Nunca me adaptei e nem consegui entender o ambiente corporativo. Grandes disputas internas, vantagens para alguns por diversos motivos, discursos absolutamente ultrapassados, motivação insuficiente já que as palavras jamais condizem com os atos, gestores atrasados quanto à nova ordem do corporativismo mundial, sim, aquele que deve unir o bem estar e tornar o ser humano apaixonado pelo seu trabalho. Não os culpo, os gestores, no todo. A verdade é que nosso país ainda sofre com os ranços do colonialismo português e não conseguimos abandonar, até hoje – mais de 500 anos depois, já com 100 de República – a escravidão de nossas mentes.

Vi meu vizinho, funcionário de uma grande empresa, infartar aos 23 anos devido a pressão que pesava sobre seus jovens ombros. Vi mulheres perdendo o precioso tempo com seus filhos atrás de horas-extras, também porque precisavam, mas muito mais para impressionar o chefe, ou por obrigação. Vi pessoas “ligadas” o tempo inteiro, não conseguindo desfrutar adequadamente do seu pouco tempo de lazer, visitando psiquiatras e tomando calmantes, guardando dentro de si o peso e a mágoa sobre seus ombros, desperdiçando feriados com suas famílias porque a empresa não concedia o benefício ao funcionário, e isso enquanto todos viajavam, curtiam suas vidas junto das suas famílias. Sem falar que o salário que se paga no Brasil não compensa o crime, hoje até os grandes diretores ganham menos que os de outros países.

Quando eu entrei na faculdade de Direito, em 2008 – atualmente curso o 4º ano – a coisa que já estava saturada só ficou pior. Primeiro porque o conteúdo é extenso e requer dedicação, e segundo porque não tinha nada a ver com a empresa que eu trabalhava, além disso eu não queria ser advogada de empresa, já tinha perdido demais meu tempo nesses lugares. Aprendi algo de útil na minha vida? Nada! Só percebi o quanto aquilo era destrutivo e como não queria aquela vida pra mim.

Foi então que resolvi que iria para o serviço público na minha área. Salários muito maiores, jornada de trabalho fixa, feriados prolongados que me permitiriam aproveitar meu tempo livre, viajar. Solicitei minha demissão em Abril de 2010 – jurando para mim mesma que NUNCA mais na minha vida poria novamente os pés em uma empresa privada - quando já havia a possibilidade de divulgação do Edital de Escrevente Técnico Judiciário do Tribunal de Justiça de São Paulo. Comecei a estudar, estudava em torno de 8 horas por dia e à noite corria para a faculdade. Só parei pára descansar em Julho quando fui para Buenos Aires e não peguei em um livro, só aproveitei a bela cidade. Quando voltei me inscrevi e prestei o concurso, que tinha 100.000 inscritos. Dava mais ou menos 200 candidatos por vaga.

O final da história é que eu fui aprovada, e aguardo a minha nomeação, que deve sair até Maio. Meu salário será igual ou até maior do que o dos coordenadores da empresa em que eu trabalhava. Não me arrependo do que eu fiz, tenho certeza absoluta que fiz a escolha certa e, de quebra, consegui cumprir a minha promessa de jamais colocar meus pés dentro de uma empresa novamente.

A vida é uma grande aventura a ser vivida por isso busque qualidade. Escreva a sua história, você é o único que pode fazer isso, ninguém fará no seu lugar!

Esse é um relato marcante da Mariane Candido
Contato pelo e-mail: ma_candidosilva@yahoo.com.br

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